Uma noite de emoção e primeiras vezes. Primeira colação de grau da Unilab, uma universidade pública ainda jovem, cravada no Maciço de Baturité, no interior do Ceará. Primeira graduação de 57 estudantes da turma “Luís Inácio Lula da Silva” e, mais ainda, a primeira graduação de muitas famílias. Assim foi a noite da última sexta-feira (12), a formatura do curso de Bacharelado em Humanidades (BHU), realizada no Campus das Auroras, entre os municípios de Redenção e Acarape/CE.
“Eu sou o primeiro da minha família a concluir o ensino superior” foi a frase quase unânime, mostrando o lugar que a Unilab ocupa na luta por uma sociedade em que os historicamente excluídos possam ter vez, construir uma nova história, contá-la a partir de seu lugar social.
Outras expressões recorrentes na noite foram “gratidão”, “oportunidade” e “orgulho”, presentes em um momento de felicidade partilhado com familiares, colegas, professores, técnico-administrativos e colaboradores da Unilab, que lotavam o Campus das Auroras ao som da Orquestra Eleazar de Carvalho.

Homenageado como patrono externo da turma e emprestando o nome a ela, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva não pôde acompanhar a cerimônia, contudo, enviou carta de saudação à reitora da Unilab e aos formandos. Em destaque na mensagem, o papel diferente desta universidade que surge como um projeto de, ao mesmo tempo, interiorização e internacionalização do saber e de reparação aos povos africanos que aqui sofreram com a escravatura.

“A Unilab nasceu de um sonho e se transformou numa extraordinária realidade. Queríamos que essa universidade fosse um humilde gesto de agradecimento a todos aqueles que, partindo da África contra sua vontade, submetidos a essa brutal forma de dominação humana que é a escravatura, chegaram ao Brasil e contribuíram para fazer desta uma nação livre e soberana”, sublinhou.

Reitora Nilma Lino Gomes destacou o significado de um estudante de família pobre se formar em uma universidade pública.
Lula disse ainda que a universidade expressa uma decisão política do povo brasileiro, de seu governo e da atual gestão da presidenta Dilma em apostar na integração com a África. “Apostar, confiar e acreditar na centralidade estratégica que tem para o Brasil a integração econômica, social, cultural e educacional com os países africanos, particularmente com aqueles que compartilhamos a mesma língua e uma mesma história de lutas”, ressaltou.
Reforçando o sentido político da Unilab, a reitora Nilma Lino Gomes uniu sua própria trajetória à dos formandos por um ponto em comum: a origem social humilde. “Muitos dos nossos bacharéis aqui formados representam a primeira geração a cursar o ensino superior na sua família. E para nós que viemos de famílias pobres, com trajetórias de luta por direitos e por inserção social, a conclusão de uma graduação significa muito. Ela representa a conquista de um direito. Para as famílias pobres do Brasil, continente africano e Timor-Leste – e eu venho de uma família com estas características –, cursar o ensino superior não é simplesmente a ordem natural das coisas, o caminho posterior ao ensino médio. Significa a ruptura com uma história de desigualdade e exclusão. Significa a nossa presença em um espaço e tempo que não foi pensado para os pobres e coletivos sociais diversos, mas, sim, para as elites”, frisou.
Leia o texto completo no Portal da Unilab.
Fonte: Assecom/Unilab
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